As Crônicas Marcianas e o real sentimento do imigrante

Esta não é uma resenha do livro “As Crônicas Marcianas” escritas por Bradbury, mas queria comentar as críticas sociais e políticas de um livro escrito em 1940 que seria uma suposta ficção-científica, mas está tão viva em nossas vidas que chega a ser como uma premonição.

Vamos lá, primeiramente a história se passa de 1999 a 2026, como que Bradbury sabia que as famílias estariam sentadas em uma mesa de jantar, cada um mexendo em seu pequeno aparelho eletrônico que são pequenos computadores que permitem as pessoas conversarem, lerem, assistirem o que quiserem através de uma conexão que nem existia nos anos 40? Neste momento o livro me ganhou.

Agora imagine você, ter a oportunidade de sair da terra, um planeta já doente, poluído, cheio de problemas políticos, miséria, conflitos religiosos, mentiras, corrupção e de repente o “Elon Musk” diz que possui uma forma segura de colonizar marte, e a gente poder recomeçar como espécie, recomeçar sua vida, ser o primeiro em qualquer empreendimento que você se propor a fazer, porém, é uma viagem só de ida, algumas pessoas serão escolhidas e você pode ter a sorte de ter esta experiência.

Porém, o que parece ser tão lindo, é a mesma sensação que o imigrante sente, por exemplo o que acontece comigo mesmo aqui em Portugal, as pessoas escolhidas para colonizar Marte chegam a um ponto que ao receberem tantas notícias ruins da terra, junto com saudade de tantas pessoas que tu ama que ficaram para trás, começa a surgir um sentimento de “Será que vale mesmo a pena, viver melhor aqui, mas abrir mão da minha essência e das pessoas que amo que eu poderia está lutando junto delas ao invés de só ficar aqui solitário e os vendo sofrer?”.

O livro é dividido por diversas crônicas que se interligam, é meio triste, por sempre mostrar que não importa onde você vá, você nunca vai estar satisfeito, o homem pode até mudar de planeta, mas ele vai destruir este planeta também, por mais nobre que sejam as intenções daqueles que vão continuar a humanidade, o humano sempre vai querer algo mais, e vai passar por cima da natureza e do seu semelhante para isso, ainda mais quando você não pode mais voltar para sua antiga vida e as coisas parecem não fazer mais sentido tão longe, então a pessoa se torna alguém que muitas vezes ela mesmo não reconhece, e dentre crises existenciais, ansiedade, ideias que nunca são colocadas em práticas, a gente vê uma repetição de padrões da humanidade na terra, em marte, e quando se consegue uma solução para voltar para a terra, nos deparamos com mais questões sociais e políticas que recomendo que você leia o livro para que eu não estrague a surpresa.

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